sábado, 19 de julho de 2008

Porque o meu desenho é bonito demais.

"Eu não sei e ninguém sabe
Se imaginam, não acreditam
Todos acham que eu sei

E mesmo se eu soubesse
Eu fingiria que não sei
Porque o desenho que eu fiz é bonito demais

Eu não sei
Até o dia que eu descobrir

E quando eu souber
O desenho vai deixar de ser desenho
E vai se tornar uma obra de arte
Ou o leite derramado
Ou o envelope reciclado

Eu não sei, ainda
Quando eu souber eu conto
Ou não
Porque o meu desenho é bonito demais."

terça-feira, 8 de julho de 2008

A certeza enlouquece, a dúvida maltrata.

A dúvida não tem cor, não tem formato e não tem cheiro. A dúvida não é doce nem salgada. Nem feia nem bonita, nem grande nem pequena. Ela se alastra e se reduz, depende do quanto você pensa nela.

A dúvida nos deixa em cima do muro, a dúvida te derruba de qualquer lugar. Ela não deixa nem gritar e nem permite calar. Ela grita tão alto que não dá de ouvir, ela murmura tão baixinho que dói nos ouvidos.

Ela não deixa ir, mas também não permite ficar.

A dúvida tira o sono, a dúvida mata de sono. É ela que embaralha todas as pistas, muda todas as direções – a toda hora -, atrapalha a visão, a audição, o coração, a digestão.

A dúvida é tão tudo que nos torna um nada. É tão nada que bagunça tudo.

Já a certeza não. A certeza que tem gosto. É a certeza que tem cor, é ela que tem forma. Ela é mais, ou menos bonita, depende da situação. A certeza não só te mostra o caminho como também te dá a mão. É na certeza que você pode pisar. É com a certeza que você pode contar.

A certeza é o chão. A dúvida é a ponte-do-rio-que-cai.


"Não é a dúvida, mas a certeza que enlouquece".


Mas pelo menos o louco sabe o que é e como as coisas são. E ponto final. Ou ele é triste, ou ele é feliz. Ou ele gostou ou não gostou, ou ele faz ou não faz. Só depende dele. A verdade está ali e ele consegue ver. Triste é querer ver e não ter nada, ou não saber nem pra onde começar a olhar, Nietzsche.



Se a certeza enlouquece, a dúvida definitivamente maltrata - e muito.