quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Por uma votAÇÃO consciente

Mensagem pessoal de um dos meus contatos: “Que absurdo, voto NÃO deveria ser obrigatório”. Qual será a razão dessa revolta? Annalisei.

1) Ela deve ter perdido algum evento em outra cidade, pois teve que vir para votar. (ok pode ficar chateada, mas não acho que seja grande assunto pra ir pro nick, enfim.)
2) Queria ter enchido a cara na noite anterior por algum motivo, mas o garçom não quis burlar a lei (lei é lei, devia ter pensado nisso antes e passado no supermercado na sexta).
3) “Ai que saco ter que ir votar, trocar de roupa, sair de casa, entrar na fila. Sem contar ter que ver propagandas na TV, debates, etc pra escolher meus candidatos na hora da novela! Ai que saco..”.
Acha um saco ser uma cidadã com direito a voto e participar de um dos eventos mais importantes de uma nação? Devia ter nascido bicho então.
4) “Todo mundo rouba”.
Opa! Se “todo mundo rouba” quer dizer que ela também rouba. No todo mundo está inclusa a sua pessoa. É, convivendo com um eu mau caráter é difícil mesmo crer na humanidade.
5) Última e mais discutível:

“Eu não quero que alguns desses ganhe. Eu voto nulo” = “Eu odeio o capitalismo, a Globo e a Veja”. Típicos usuários da camisa do Che, os ditos revoltados.

- Odeia o capitalismo? Se muda! Quer continuar perto da mãe? Inicie uma sociedade alternativa e vote em branco, voto típico de quem não está nem aí pra quem for eleito, você é auto-sustentável, não? E não vale dizer que vai ficar sem internet banda larga porque isso é coisa de capitalista... E capitalista é maaaaaaau!
- Odeia a Globo e Veja? Bom, imagino que seja bem penoso mesmo para certos miolos estar por dentro dos fatos atuais mundias. Se os jornalistas aumentam? Se eles distorcem um pouco os fatos? Bom, provavelmente às vezes um pouco sim. Alguns, sim, mandados por alguém mal intencionado. Então você odeia quem mente e quem distorce, não um meio de comunicação que te expõe os fatos, que te torna informado.
- Não quer que um deles ganhe? Se você não os conhece, comece a conhecê-los. E se conhece (de verdade) e não gosta, ache mais cabeças que nem a sua e monte um partido. Esperar pela utopia não dá. Ou se encaixa, ou cria. Escolha.

O voto obrigatório não conseguiu fazer com que a população se interessasse por esse assunto tão importante na vida moderna, a política. Imagina se ele virar voluntário?
Como disseram, "There is no technical solution" (Não existe uma solução técnica). A solução está na consciência de cada um, e isso, aaah.. Isso não tem técnica mirabolante que dê jeito!

2 comentários:

Andre disse...

Concordo muito com seu texto, mas não em absoluto.
acho importante voce gastar um tempo pra realmente verificar quem seria o candidato "menos pior" pra ser votado (sim, pois eu voto em Jaboatão dos guararapes, ao lado de recife, onde a politica afunda em corrupção e os candidatos "neutros" são inexpressivos e semi-analfabetos) então aqui é preciso escolher alguem tendo em conta qual é menos pior e qual tem reais chances de com os votos dos currais derrubar o "mais pior".... enfim. Na minha opinião o voto não deveria ser obrigatorio, por simplesmente voce poder chegar pra dona maria e pro seu joao, olha... ta vendo ai sua rua, ta assim por que o sr não foi votar, por que o senhor não participa do concelho do seu bairro... e bla bla bla. e ainda, o voto não deveria ser brigatorio por que acho que isso é uma questão de educação. só por que as pessoas não tem civilidade que são Obrigadas a votar. A questão é que devemos mudar este ponto, a cidadania.
André do salada não leva a nada

Anna Elisa disse...

Caro colega carnívoro,

A teoria realmente é interessante e eu ficaria feliz em tê-la como realidade. Se soubesse que uma coisa levaria à outra, certamente apoiaria. Como disse, não existe uma solução técnica, o problema mora dentro.
Mas tratando-se de uma maioria que reelege um presidente semi-analfabeto que insiste em tentar me fazer de otária quando assistiu de camarote escândalos bizarros em seu governo e diz não saber de nada de nada...
Ah! Aí nesse caso o tratamento pró-conscientização está quase de mãos dadas com a utopia.
No caso do voto não-obrigatório eu tristemente esperaria um aumento significativo da venda de votos. Sinto, dói, mas é o que eu sinceramente acho.